Há uma vasta tradição simbólico poética que fala do humor melancólico dos saturninos, daqueles que nasceram com Saturno dominante no seu mapa planetário, quer dizer, a nascer, a culminar ou em aspecto tenso com o Sol ou a Lua. Como exemplo, quem nasce com Saturno em conjunção com a Lua, manifestará uma natureza melancólica, tímida, reservada, mais dada à introspecção e ao estudo, ao humor sombrio, ao retiro.
Há um clássico sobre esse assunto: Saturn and Melancholy de Klibansky, Panofsky e Saxl, Londres 1964. Será que esta interpretação simbólica se verifica cientificamente? Não sei. Não tenho conhecimento que um tal estudo tenha sido feito com profundidade e sem os preconceitos dos pró astrologia e dos contra astrologia. Mas estou em crer que tal interpretação produziu poemas, pintou quadros, esculpiu estátuas, emitiu juízos médicos renascentistas, inspirou Marsilio Ficino e está gravada na memória colectiva.
Mas os astrónomos entendem que sobre a Lua e Saturno só se emitem juízos oportunos se estes forem matemáticos e astronómicos. Então, o mais correcto será rasgar esses poemas, queimar esses quadros, destruir tais estátuas, desprezar esses médicos que deixaram morrer todos os seus doentes, colocar Ficino no Índex e levar essa memória a uma justificada psicoterapia colectiva. Vamos agradecer aos astrónomos o discernimento. A luz da verdade pode tardar mas sempre chega. Ámen.
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