ASTROFILOSOFIA
De ORIENTAÇÃO e PREVISÃO
José Prudêncio
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José Prudêncio
Consultor de Orientação e Previsão
Professor de Filosofia e de Astrologia
MA in Astrology, Bath Spa University
www.joseprudencio.com
FILOSOFIA DE VIDA
"Música das Esferas"
José Prudêncio
A Filosofia como "Sabedoria de Vida"
A minha abordagem da Astrologia parte da Filosofia, duma Filosofia que procura recuperar a tradição grega clássica de “Sabedoria de Vida”.

Quando falo de Filosofia não me refiro ao estereótipo, que vem logo à ideia de muitas pessoas, duma coisa abstracta e difícil de compreender. Não. Estou a falar duma Filosofia ligada à vida, que nos ajudar a interpretar e compreender melhor as nossas realidades, simultaneamente objectivas e subjectivas; que serve para nos dar força interior, racionalidade aos nossos pensamentos e determinação aos nossos actos.

Tradicionalmente, a Astrologia inclui-se na chamada Filosofia do Espírito, o que pressupõe uma separação entre espírito e matéria e concepções metafísicas ou esotéricas. Tenho pouco interesse por doutrinas metafísicas, ocultas, sobrenaturais, não creio que possam ser de grande utilidade para ajudar de facto os seres humanos a terem uma vida melhor. Muitas vezes são antes fonte de confusão e de ilusões. A Filosofia Astrológica, tal como a concebo, procura purificar a mente de superstições e de doutrinas esotéricas.

Entendo antes a Astrologia, numa perspectiva filosófica, como uma técnica de linguagem, como um sistema interpretativo que tem por base diversas teorias da filosofia grega. A Astrologia é um sincretismo (uma mistura ideias e de teorias com diferentes proveniências) que se foi desenvolvendo e adaptando às necessidades dos seres humanos no seu quotidiano. A Astrologia é uma técnica operativa que podemos utilizar como meio de orientação e previsão relativamente às nossas tendências e às fases da nossa vida e, desse modo, promover o desenvolvimento, a liberdade e a possibilidade duma vida mais feliz.

Esta felicidade tem que ser vista num sentido ecológico, dum ser humano em harmonia consigo, com os outros e com o cosmos. É necessário recuperar essa ideia grega da "Música das Esferas" que representa o ideal grego de harmonia e integração de todos os seres do nosso universo.

Para recuperarmos o Cosmos Grego, o ideal dum universo humano, temos que "escutar o Logos", a inteligência universal, representada na Astrologia por Úrano, um deus celeste. Este "escutar o Logos" é algo simples e ao mesmo tempo muito enriquecedor: estar atento àquilo que a nossa inteligência já é capaz de alcançar e libertarmo-nos dos mitos de salvação promovem esperanças ilusórias, doutrinação, fundamentalismo, mentalidade mágica e milagreira, superstições, moral de culpa e castigo, demónios tenebrosos e deuses ciumentos. "Escutar o Logos" é não nos demitirmos da tarefa de criar uma vida mais feliz na Terra, é assumir a função de co-criadores dum Cosmos mais humano.

Hino a um Deus Temporário
José Prudêncio
Felizes os que crêem em deuses porque assim a adversidade e a morte virão envolvê-los em suaves mantos de fantasia.

Felizes o que temem o diabo porque assim vêem nos outros a sua própria maldade.

Felizes os que berram e se desgrenham porque é deles o disparate e a tontice beatificante.

Porque o bem do mundo não se faz só de coisas boas.

Porque, finalmente, ter ganho ou perdido pouco altera o sentido da vida.

Porque na memória não perdurará apenas a imagem de quem soube viver sem raiva e sem resignação, sem esperanças vãs e fantasias consoladoras, sem fé num final feliz, sem orgulho e sem humildade, com a consciência de ser um pequeno deus temporário que ama a beleza e aprecia os prazeres fugazes, que se encanta com o efémero e desdenha da eternidade, que ama e odeia os homens e as mulheres, que se exalta com a alegria das crianças, que tem mais fé em si do que na bondade do destino, que acredita que as melhores leis dos homens estão acima das leis dos deuses, que lê Homero e tem a tranquila consciência de que, sobre a vida e o mundo, pouco mais lhe será dado compreender para além dos gregos clássicos.

© José Prudêncio - Lisboa 2007/2008