ASTROFILOSOFIA
De ORIENTAÇÃO e PREVISÃO
José Prudêncio
E-mail__|_Home_:

:: Biografia
:: Artigos
:: Cursos
:: Consultas
:: Quirologia
:: Tarot
:: Imprensa
:: Agenda
:: Contactos
:: Revista Notícias TV
:: Revista Corpo de Mulher
:: Consultas por Telefone
:: Links e Créditos
José Prudêncio
Consultor de Orientação e Previsão
Professor de Filosofia e de Astrologia
MA in Astrology, Bath Spa University
www.joseprudencio.com
MESTRADO EM ASTROLOGIA
MA in Cultural Astronomy and Astrology
Bath Spa University 2003/05
Fiz o mestrado em Cultural Astronomy and Astrology em Bath Spa University em 2003/05. Este mestrado marcou a re-entrada da Astrologia na universidade na Europa e contou com a presença de especialistas de muitos países. Foram meus professores: Dr. Michael York, Dr. Nick Campion, Dr. Patrick Curry e Dr. Liz Greene.
Dissertação e Trabalhos do Mestrado
A Dissertação e os Paper, de que apresento aqui as introduções e os índices, foram escritos de modo a constituírem um livro, a publicar em 2007, sobre as questões filosóficas, científicas e sociais que se colocam à Astrologia numa perspectiva cultural.
MA in Astrology
Dissertação: Objecções à Astrologia
Paper 1. Astrologia como Sistema de Pensamento
Paper 2. Atitudes Cristãs
Paper 3. A Falácia Psicológica
Paper 4. Crenças Não-Astrológicas
Dissertação: Objecções à Astrologia
Quais os pressupostos?

Introdução

O estatuto da astrologia no contexto da cultura contemporânea é um assunto complexo. Apesar da sua popularidade, a astrologia tem sido confrontada com fortes ataques e objecções ao longo da sua história. Provavelmente um dos melhores modos de compreender e avaliar um assunto é conhecer as suas fraquezas e inconsistências. Neste sentido tentarei identificar a principais objecções à astrologia e explorar as suas razões mais profundas. Quais são as principais objecções históricas e actuais à astrologia? Quais são os pressupostos nos quais se baseiam essas objecções? Estas são as duas questões fundamentais a que procurarei responder neste trabalho de investigação e reflexão. Espero que a resposta a estas questões ajudem a ganhar um melhor entendimento sobre a posição peculiar da astrologia na cultura ocidental contemporânea.

Para responder a estas questões vou empregar simultaneamente uma metodologia hermenêutica e fenomenológica. A abordagem fenomenológica, no contexto particular, deste trabalho, significa que procurarei identificar objecções históricas e contemporâneas à astrologia, apresentando-as o mais objectivamente possível, respeitando a sua própria lógica. A abordagem hermenêutica significa que tentarei identificar os fundamentos e o significado, os pressupostos subjacentes, o “não-dito” das objecções à astrologia.

Podemos dizer que aquilo que é afirmado nas objecções à astrologia se pode basear em crenças, pressupostos, valores e paradigmas que não são de facto ditos, que podem estar escondidos e ser de natureza pré-racional ou pré-crítica. O meu trabalho procura fazer uma análise hermenêutica das objecções à astrologia, identificar o que “não é dito” no discurso contra a astrologia, que permanece inconsciente e, não compreendido com clareza e, provavelmente, projectado.

Ainda que eu trabalhe com astrologia e não possa ser considerado isento (será que isso existe?), procuro fazer um esforço para ser o mais racional e objectivo possível. Fundamento este tipo de abordagem na minha formação filosófica influenciada pela hermenêutica, pela fenomenologia e pela filosofia da linguagem. Talvez este trabalho não agrade nem aos defensores da astrologia nem aos seus críticos. Aos astrólogos pode parecer que estou a fazer de advogado do diabo, aos críticos talvez pensem que se trata apenas de uma tentativa de apresentar uma velha superstição duma forma “racional”. Mesmo correndo este risco, penso que este trabalho pode fazer pontes entre posições que são habitualmente demasiado extremadas, e onde falta a compreensão dos argumentos em confronto.

A abordagem hermenêutica que sigo aqui assume que em cada afirmação está implícita uma negação, uma oposição, num exemplo simples: ao mesmo tempo que se afirma a importância da tolerância, como o faz John Locke em A Letter Concerning Toleration (1689), está-se a negar o autoritarismo político e religioso. Conversamente, ao negar algo está-se a fazer uma afirmação implícita de outra coisa. Para colocar o assunto noutros termos, podemos reconhecer a existência de pré-conceitos (julgamentos prévios) como condições da compreensão (Gadamer 1960: 288), e da avaliação da astrologia. Neste sentido vale a pena perguntar, com vistas a desvelar o “porquê” das objecções, que se está a tentar promover quando se ataca a astrologia?

Devido ao tom radical, apaixonado e tantas vezes excessivo das objecções à astrologia (Couderc 1951; Kelly 2000; Bok and Jerome 1975), a minha perspectiva é que as razões do ataque à astrologia podem ser parcialmente inconscientes, baseadas em motivações reprimidas e em traumas culturais. Neste sentido, juntamente com a abordagem fenomenológica e hermenêutica, faço aquilo que se poderá designar “psicanálise cultural”. É certo que está para lá do âmbito deste trabalho elucidar a teoria e a problemática da fenomenologia, da hermenêutica e da psicanálise (acerca da hermenêutica, ver Ricoeur 1955; Gadamer 1960).

Index da Dissertação
1. Análise dos Trabalhos Anteriores

2. Metodologia

3. Atitudes Cristãs em Relação à Astrologia

1. Astrologia na Bíblia

2. Os Padres da Igreja

2.1 Anjos cristãos e demónios astrológicos

3. Santo Agostinho e a objecção dos gémeos

3.1 Ajuda de espíritos malignos

3. Santo Alberto Magno e S. Tomás de Aquino

4. Atitudes cristãs modernas e contemporâneas

4.1 O Renascimento

4.2 Argumentos jesuítas modernos contra a astrologia

4.3 Argumentos jesuítas contemporâneos contra a astrologia

4.4 A Astrologia no Catecismo da Igreja Católica de 1993

4.5 Argumentos Jesuítas Pró Astrologia

5. Hermenêutica das atitudes

5.1 Astrologia: perigo para o cristianismo e pecado para os cristãos

4. Crítica Filosófica à Astrologia

1. Carnéades de Cirene

2. Cícero e o De Divinatione

3. Da inutilidade de toda a predição

4. Pico della Mirandola, Disputationes Adversus Astrologiam Divinatricem

5. Mudança de paradigma: o fim do cosmos aristotélico-ptolemaico

6. Oposição ao pensamento analógico e crítica à linguagem da astrologia

5. Problemas Sociais da Prática da Astrologia

1. Astrologia, poder e desordem social

2. Charlatanismo, conformismo e superstição

3. Astrologia popular e a função social da previsão

4. Discordância entre astrólogos

6. Objecções Científicas à Astrologia

1. The Humanist: 186 cientistas contra a astrologia

2. O paradigma anti-astrológico

3. Objecções à astrologia na Faculdade de Ciências de Lisboa

4. “Astrology-and-Science”: objecções contemporâneas à astrologia

5. Estruturas não-científicas das actividades humanas

6. Testes pessoais e experiências fragmentárias

7. O renascimento da astrologia académica

8. Verdade e iluminismo versus obscurantismo e charlatanismo

9. Funções catártica e exorcista

7. Objecções dos Astrólogos

Paper 1.
Astrologia como Sistema de Pensamento
Introdução

Este capítulo começa por descrever as ideias fundamentais que estiveram na origem da transformação da religião astral e da ciência/técnica de adivinhação babilónicas, baseada em presságios, num sistema operativo de pensamento. Neste sentido, observamos no sistema astrológico a presença das principais ideias da filosofia grega antiga. Na sua origem, a astrologia ocidental é:

1) Herança da religião astral babilónica e da sua técnica de adivinhação, e das pressupostas correlações entre as referências astronómicas e os acontecimentos terrenos, entendidas como manifestação duma ordem divina.

2) Mais tarde, durante o período Helenístico, houve a adição de várias teorias filosóficas gregas que desenvolveram a noção cosmológica da superioridade das esferas celestes de acordo com princípios universais e leis matemáticas.

Que é a astrologia? Quais são as suas bases filosóficas e científicas? A astrologia é uma ciência? É um sistema simbólico? Podemos observar que, não apenas entre a população em geral mas também entre pessoas de bom nível cultural, existe um conhecimento confuso e limitado sobre o que é a astrologia.

Normalmente, a astrologia encontra-se misturada com um grande número de elementos e crenças, nomeadamente, religiosas e metafísicas. Este trabalho pretende mostrar como é que a religião astral babilónica original mudou sob a influência da filosofia grega e como é que os gregos racionalizaram e sistematizaram essas crenças num sistema de pensamento novo. Procuro também clarificar algumas das principais bases culturais e filosóficas do conhecimento astrológico ocidental e analisar criticamente os pressupostos e as crenças nas quais se baseia a astrologia enquanto sistema de pensamento, isto é, de concepção e de interpretação da realidade.

Na primeira parte, começarei por apresentar uma perspectiva geral da origem babilónica da astrologia, a qual conduziu a um tipo de prática que denomino “macro astrologia.” Seguidamente, dou uma perspectiva geral das principais ideias filosóficas gregas que transformaram a astrologia babilónica num sistema racionalizado de pensamento. Refiro em particular a cosmologia de Aristóteles e o Tetrabilos de Ptolomeu, que constitui a obra inaugural da astrologia ocidental. Na terceira parte mostro como a astrologia perdeu os seus fundamentos filosóficos e científicos em consequência da denominada “revolução científica do século XVII.” Na quarta parte, procuro analisar o actual estatuto epistemológico da astrologia mostrando, em particular, as diferenças entre a astrologia grega e a astrologia contemporânea. Termino esta temática com uma reflexão sobre as possíveis direcções para uma “arte” ou “técnica” astrológica que, à luz das concepções epistemológicas actuais, não tem a fundamentá-la nem uma teoria filosófica consistente nem provas científicas.

1. Harmonia Divina - Mito - Ordem Sobrenatural

Macro astrologia

2. Harmonia cosmológica - Logos - Ordem Natural

Astrologia como sincretismo da filosofia grega

Ptolomeu e o Tetrabiblos

Micro astrologia

3. Astrologia e a Revolução Científica do século XVI

Destruição do cosmos grego

Destuição da Física de Aristóteles e da sua concepção de espaço

4. Estatuto Epistemológico da Astrologia no século XX

Diferenças entre astrologia grega e astrologia contemporânea

Caminhos para uma prática sem fundamentos científicos e sem provas científicas

Index
© José Prudêncio - Lisboa 2008