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www.joseprudencio.com
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| IMPRENSA |
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| A Nova Astrologia |
| José Prudêncio |
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| IN', Notícias Sábado, DN e JN, 16 Agosto de 2008 |
| Entrevista de Carla Maia de Almeida |
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| Notícias Sábado, IN', 16 Agosto 2008
34' DESTAQUE
O astrólogo que não acredita na astrologia
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| Não gosta que lhe chamem “astrólogo”, por isso inventou para si um novo termo: astrofilósofo. Propõe-se resgatar a astrologia das suas três grandes ilusões a ciência, a religião e a psicologia e escreveu um livro onde explica os caminhos de uma quarta via. A astrofilosofia, precisamente.
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| Texto de Carla Maia de Almeida
Quando um astrólogo diz que não acredita na astrologia, no mesmo sentido em que não acredita “no sobrenatural, nem no oculto ou na magia”, algo de estranho se passa no reino do Zodíaco. Mas é exactamente isso. Para José Prudêncio, um nome familiar aos leitores da Notícias TV, ter ou não ter fé na astrologia não é o mais importante, quando se trata de extrair daí informações práticas e princípios éticos orientadores de vida. Com uma visão desassombrada do seu próprio ofício, encara a astrologia como um sistema simbólico de interpretação do mundo e do cosmos, colocando o indivíduo no centro, como produto e co-criador. Um sistema que encontrou há dois mil anos a sua linguagem e as suas técnicas, e como tal deve ser compreendido. Sem pretensões científicas e sem os mantos diáfanos do transcendente. O que sobra, então? A astrofilosofia. Um astrofilósofo será, então, “alguém que a partir dos planetas do nosso sistema solar constrói teorias, sistemas de referência e modelos interpretativos”, afirma.
Embora o processo de escrita e organização tivesse levado poucos meses, José Prudêncio considera ter demorado vinte anos para chegar a Astrologia e Filosofia Um Discurso Sobre o Tempo e os Instintos (Esfera do Caos). Um livro em que pretende divulgar “o conceito inédito de astrofilosofia” e pôr alguma ordem numa área de “grande confusão conceptual”, como explicou ao IN. “Este livro foi feito para pessoas que se interessam pela astrologia, mas não se contentam com abordagens simplistas nem com inconsistências. E foi feito também para pessoas que se interessam por filosofia.” É nessas duas secções que gostaria de o ver arrumado nas livrarias e não junto aos títulos de esoterismo e auto-ajuda, sobre os quais faz, digamos, uma crítica tolerante. Essa é, aliás, uma das características da obra: a sua desvinculação de abordagens de ataque a outras propostas astrológicas, venham estas de um linha esotérica, kármica, humanista ou popular. “A lógica do contra não faz parte das minhas intenções. Eu nem sequer ataco os horóscopos dos jornais, ao contrário da maioria dos astrólogos. Embora, do ponto de vista científico, o seu valor seja zero, do ponto de vista subjectivo podem significar um momento de reflexão. Se as pessoas se distraem demasiado com esses horóscopos e ignoram outras vias, é porque estão nesse nível de consciência.”
Em trezentas páginas, o autor apresenta a sua própria concepção de astrologia, fazendo-a regressar a “casa”, isto é, à tradição filosófica e científica grega. Depois de ter sofrido o embate do racionalismo e das descobertas de Copérnico, Galileu e Descartes, viu decair a sua importância. Mas, apesar de não consagrada pela instituição académica, a astrologia não se extinguiu pelo contrário, foi sendo enriquecida por sucessivos saberes e práticas, ao longo dos últimos quatro séculos. “A astrologia pode não ter bases cientificas, mas baseia-se na inteligência da Humanidade”, defende José Prudêncio. “As diversas civilizações foram construindo sistemas para interpretar os sinais, os fenómenos, os acontecimentos, e tudo isto produziu um conhecimento eficaz. É um instrumento de ordem probabilística e conjectural. Não tenho dúvida de que a astrologia serve para prever o futuro aliás, é essa a sua grande utilidade. E, ao prevê-lo, tendencial ou factualmente, podê-lo mudar. Resta sempre uma margem de imprevisibilidade. No limite, não tenho a certeza de nada quanto ao futuro.”
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| Quando a astrologia chega à universidade
Houve um tempo em que a astrologia era estudada como uma disciplina “científica”, antes de Copérnico afirmar que a Terra não era o centro do universo. Em 1993, estalou o verniz académico quando a astrologia chegou à intocável Sorbonne, com a apresentação de uma tese de doutoramento intitulada “A Astrologia: Fundamentos, Lógica e Perspectiva”. Na Alemanha, Inglaterra e Dinamarca outros estudiosos seguiram a mesma via, enquanto nos Estados Unidos da América o Kepler College continua a propor cursos de licenciatura e mestrado nesta área. Mas desengane-se quem imagina que ali se ensinam a fazer e interpretar cartas astrológicas, ou por que razão os Virgens são perfeccionistas e os Escorpiões obsessivos.
“Isso é uma ficção das pessoas”, diz José Prudêncio. Licenciado em Filosofia e detentor de um mestrado em Astronomia Cultural e Astrologia, conferido pela Bath Spa University, em Inglaterra, recolheu aí muito do material teórico que explicita no seu livro. “Mas não aprendi nada enquanto astrólogo. Com excepção da Índia, onde a astrologia tem outra importância, ninguém aprende quaisquer técnicas nas universidades.” Os estudos superiores da astrologia tomam o objecto enquanto fenómeno histórico, social e cultural, evitando cair em juízos de valor sobre o seu alcance prático. Sujeita à crítica epistemológica, a astrologia tem feito um percurso oscilante na instituição académica, sendo duvidoso que alguma vez volte a ocupar o alto patamar do conhecimento que lhe foi dado noutros séculos. Mas quem pode ter a certeza?
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| José Saramago e José-Augusto França: as coincidências dos astros
Nascidos no mesmo dia (16 de Novembro de 1922), com apenas meia hora de diferença e a 21 quilómetros de distância um do outro, José Saramago e José-Augusto França constituem um caso de coincidência astrológica que se manifestou em semelhanças de percurso pessoal, familiar e profissional. O interesse de José Prudêncio levou-o a escrever um livro sobre o assunto, ainda inédito. Os dois “Josés” perderam os irmãos na infância; ambos conheceram as futuras mulheres no mesmo ano e se divorciaram em 1970; e ambos casaram pela segunda vez com uma mulher estrangeira, entre outros aspectos comuns. Ao longo da vida, “tiveram sempre uma estranha impressão de saberem o que o outro estava a pensar”, segundo lhe contou José-Augusto França. Um dos tópicos de Astrologia e Filosofia incide sobre a análise das duas personalidades intelectuais, com quem José Prudêncio conversou pessoalmente. “Incluí este capítulo pela minha má consciência”, diz. Estou em dívida para com o José Saramago, que me recebeu durante três dias em Lanzarote, e também com o José-Augusto França.” O livro está praticamente pronto, a aguardar oportunidade de publicação. “Posso acabá-lo num mês… ou posso acabá-lo em cinco anos.”
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| O mito anti-ético da alma gémea
José Prudêncio diz que há "milhões de almas gémeas" e pretende desmistificar a ideia de que existe uma única. "Isso é uma ficção que causa muito sofrimento".
“O amor é um dos temas mais comuns nas minhas consultas, acrescido pelo facto de cerca de três quartos de quem me consulta serem mulheres. As necessidades de segurança emocional e afectiva são instintos poderosos”, escreve José Prudêncio, em Astrologia e Filosofia. Independentemente do estado civil da cada um, os sintomas coincidem: incertezas, insatisfação, cansaço, ciúmes, solidão, etc. Na segunda parte do livro, mais pragmática, o tópico 47 (“Orientação para a felicidade possível”) lança as bases para as conclusões apontadas algumas páginas à frente, no que se designa por uma “Ética do amor à luz da Astrofilosofia”. Aqui, o autor contesta o impulso volúvel que muitas vezes precipita o fim das relações, ao mesmo tempo que arrasa a ideia falaciosa e transcendente de “alma gémea”.
“Não há uma alma gémea, há milhões. A ideia da alma gémea única é uma ficção que causa muito sofrimento”, confirmou ao IN. E explica porquê: “Leva-nos a não aceitar o outro como pessoa. Nesse sentido, é um mito anti-ético. Julgar que há alguém que encaixa em mim por ordem divina é negar a ética, que pressupõe vivermos com pessoas que não encaixam assim tão bem connosco.” É certo que existem casos de “compatibilidade extraordinária” como sucede com José Saramago e Pilar del Rio, o exemplo mais perfeito que encontrou em vinte anos de consultas. Porque perfeitos, ou quase, são também raros. O mais comum será encontrarmos “pessoas com quem nos harmonizamos melhor do que outras”, o que não nos livra da responsabilidade individual. “Há relações que se constroem e que são difíceis de construir. Não há paraísos. A não ser aqueles que vamos conseguindo inventar e que são temporários.”
A par da alma gémea, José Prudêncio desmitifica também a questão do divórcio, no que à primeira vista poderá parecer uma visão conservadora. Excluindo a vivência de problemas graves, com consequências físicas ou psicológicas, a ruptura não é sempre a solução. “Para uma pessoa que tem uma família, não acho que seja legítimo divorciar-se na base de um egoísmo individual feroz. Se eu tenho filhos, não posso pensar em divorciar-me de uma pessoa só porque já não estou apaixonado por ela! Isso gera grande instabilidade nas crianças e gera uma sociedade mais infeliz.” Se a astrologia é capaz de prever as fases de maior crise e inquietação interior, uma consulta poderá ajudar o indivíduo a lidar melhor com a situação. “Por isso é que o livro termina numa ética. É preciso a pessoa desenvolver um sentido do eu mais harmonioso, para poder lidar melhor com aquilo que não lhe agrada. Se eu fizer isso, consigo suportar melhor as desarmonias do outro.”
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| O autor recomenda
Astrology in the Year Zero, GARRY PHILLIPSON (Flare Publications). Para uma visão contemporânea da astrologia, simultaneamente crítica e interdisciplinar, José Prudêncio recomenda este livro de um ex-colega de mestrado que está agora a completar o doutoramento.
Astrology and the Academy: papers from the inaugural conference of the Sophia Centre, Bath Spa University, NICHOLAS CAMPION, PATRICK CURRY & MICHAEL YORK (Cinnabar Books). Conferências apresentadas por especialistas de diversos países, a 13-14 de Junho de 2003, inaugurando o "MA in Cultural Astronomy and Astrology" que marcou a re-entrada da astrologia na universidade.
Ciência, Astrologia e Sociedade: a teoria da influência celeste em Portugal (1593-1755), LUÍS MIGUEL CAROLINO (Fundação Calouste Gulbenkian). A primeira tese de doutoramento sobre o tema da astrologia defendida em Portugal.
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© José Prudêncio - Lisboa 2008
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